SUS expande remédios para infarto e AVC em UPAs e no Samu

SUS amplia oferta de trombolíticos para infarto e AVC isquêmico

O atendimento a emergências cardiovasculares e cerebrovasculares na rede pública de saúde passa por uma importante transformação. A sanção da Lei nº 5.972/2023 determina a ampliação da distribuição de medicamentos trombolíticos em toda a rede de urgência do Sistema Único de Saúde (SUS), contemplando as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e as ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192).

Como os trombolíticos atuam no organismo

Os fármacos trombolíticos exercem papel decisivo na dissolução de coágulos sanguíneos que obstruem artérias vitais no coração ou no cérebro. Essa desobstrução rápida restabelece o fluxo sanguíneo e o fornecimento de oxigênio, sendo fundamental para conter os danos provocados pelo Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e pelo Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico.

A agilidade na aplicação do tratamento é determinante para a recuperação dos pacientes. Em quadros de infarto, a substância pode ser administrada de imediato enquanto se viabiliza a transferência para intervenções mais invasivas, como a angioplastia. Iniciativas desse tipo podem diminuir em até 50% os índices de mortalidade decorrentes de ataques cardíacos.

Criação de comitê para padronizar o atendimento

Embora já existissem protocolos clínicos que previam o uso dessas substâncias, a compra dos lotes ficava majoritariamente sob responsabilidade dos gestores municipais e estaduais, gerando disparidades regionais. Para uniformizar o fornecimento, o Ministério da Saúde instituiu um comitê nacional dedicado a acompanhar as linhas de cuidado de agravos cardiovasculares e cerebrovasculares tempo-dependentes.

O grupo de trabalho reúne entidades médicas e especialistas com o objetivo de formular diretrizes, regulamentar práticas e monitorar a disponibilidade contínua dos medicamentos nos serviços de socorro imediato em território nacional.

Estatísticas e estrutura de suporte no Brasil

As enfermidades vasculares continuam entre os maiores desafios da saúde pública brasileira, com uma estimativa de 300 mil a 400 mil episódios de infarto registrados anualmente. Em 2025, a rede pública prestou assistência a 292 mil ocorrências de AVC, sendo 218 mil classificadas como isquêmicas.

Nas UPAs, os profissionais de saúde estão aptos a identificar os sinais clínicos e administrar a medicação. Já no ambiente pré-hospitalar, o procedimento depende de viaturas de Suporte Avançado de Vida devidamente credenciadas.

Capilaridade do Samu 192 no território nacional

Atualmente, o país conta com 102 unidades móveis do Samu 192 habilitadas para a infusão desses fármacos. A maior concentração do serviço está no Ceará, com 28 bases, seguido por Minas Gerais (22), Sergipe (16), Rio Grande do Norte (13), Bahia (12), São Paulo (nove) e Paraíba (duas). Ao longo de 2025, os socorristas realizaram 861 intervenções com trombolíticos antes da chegada dos pacientes aos hospitais.

A consolidação desse suporte farmacológico no socorro inicial visa encurtar o intervalo entre os primeiros sintomas e a assistência terapêutica, combatendo as mortes prematuras e minimizando sequelas motoras ou cognitivas a longo prazo.

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