O tempo e as condições enfrentadas no transporte público diário influenciam diretamente o nível de estresse, a qualidade do sono e a forma como as pessoas organizam suas rotinas. É o que indica uma pesquisa transversal desenvolvida pelos pesquisadores Gökay Çakıroğlu e Hülya Yaman Dağdelen, realizada com 150 adultos jovens residentes em Istambul, na Turquia.
O levantamento coletou dados entre 1º de outubro de 2024 e 31 de janeiro de 2025 por meio de questionários virtuais aplicados a pessoas saudáveis de 20 a 30 anos. A análise excluiu indivíduos com limitações físicas, histórico de viagens ao exterior no mês anterior ou diagnóstico de ansiedade e depressão maior. Para medir os impactos do deslocamento, os autores aplicaram escalas padronizadas de estresse percebido, fadiga, gravidade de insônia e a versão turca do Questionário de Equilíbrio Ocupacional (OBQ11-T).
Ambiente da viagem e desgaste físico
A maioria dos participantes avaliou o transporte público de forma negativa. Entre os fatores ambientais, o excesso de ruído e a vibração dos veículos apresentaram associação significativa com índices mais elevados de fadiga e com maior gravidade da insônia.
A pesquisa também identificou que a necessidade de alternar entre diferentes meios de transporte coletivo eleva o cansaço físico e o estresse percebido. Fazer baldeações frequentes, portanto, adiciona uma carga de esforço que vai além do tempo total gasto no percurso.
O que se faz no caminho faz diferença
Outro ponto observado pelo estudo foi o tipo de ocupação realizada durante a viagem. Passageiros que se envolveram em atividades com estímulo cognitivo ou em interações sociais durante o trajeto apresentaram pontuações mais altas de equilíbrio ocupacional quando comparados àqueles que apenas ouviam música ou podcasts.
Ao analisar o conjunto dos resultados, os autores concluíram que a qualidade da experiência vivida no transporte público desempenha um papel mais determinante no bem-estar físico e psicológico e no equilíbrio ocupacional do que apenas a quantidade de horas despendidas no trânsito.
Créditos do estudo:
Çakıroğlu, G., & Dağdelen, H. Y. (2025). The effects of public transportation use on occupational balance, stress, and fatigue in young adults: a cross-sectional study.
Imagem gerada por inteligência artificial.
The effects of public transportation use on occupational balance, stress, and fatigue in young adults: a cross-sectional study
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