Recursos próprios da formação em terapia ocupacional, como a análise de atividades, a atenção à integralidade e o manejo de dinâmicas grupais, influenciam diretamente a prática de profissionais que assumem a coordenação de serviços e políticas públicas. É o que aponta um estudo qualitativo realizado no Estado de São Paulo com terapeutas ocupacionais que ocupam cargos de gestão.
Desenvolvida ao longo de um ano pelas pesquisadoras Luany Vitória Gomes de Godoy e Pamela Cristina Bianchi, a investigação reuniu informações sobre trajetória formativa e atuação profissional por meio de questionários online. Participaram da pesquisa 18 terapeutas ocupacionais inseridas na administração pública.
Aplicação de instrumentos da profissão
Entre as participantes, a avaliação sobre a contribuição da terapia ocupacional para a gestão foi unânime: todas afirmaram que a identidade e a bagagem técnica da profissão fazem diferença no exercício de funções administrativas na esfera pública.
Nos relatos, ferramentas centrais da profissão surgem aplicadas à condução de equipes e à organização de processos. O uso da análise da atividade, a perspectiva da integralidade do cuidado e a abordagem grupal foram citados como conhecimentos determinantes para planejar fluxos, estruturar rotinas e coordenar coletivos de trabalho nos serviços públicos.
Lacunas na formação e peso das políticas públicas
Embora os saberes da profissão apareçam como suporte prático no cotidiano de chefias e coordenações, o estudo também identificou distâncias na formação inicial. As participantes indicaram a ausência de disciplinas voltadas especificamente à gestão durante os cursos de graduação.
Por outro lado, o domínio sobre o funcionamento das políticas públicas foi apontado pelas entrevistadas como um conteúdo essencial para sustentar a atuação nesses postos. Compreender as diretrizes do Estado, o financiamento e as regras de operação dos serviços mostrou-se indispensável para quem precisa articular o atendimento à população e a gestão do trabalho.
A pesquisa busca consolidar o debate sobre o espaço ocupado por terapeutas ocupacionais na administração pública, aproximando as competências construídas na profissão das exigências concretas de organização dos equipamentos e das políticas sociais e de saúde.
Créditos do estudo original:
Artigo: Saberes teórico-práticos da terapia ocupacional na gestão pública: o que dizem as profissionais?
Autoras: Luany Vitória Gomes de Godoy e Pamela Cristina Bianchi.
Imagem gerada por inteligência artificial.
Saberes teórico-práticos da terapia ocupacional na gestão pública: o que dizem as profissionais?
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