O uso de dispositivos e ferramentas digitais pode favorecer a participação de pessoas idosas em diferentes atividades do dia a dia, mas a simples presença do recurso não assegura o seu aproveitamento. Uma revisão bibliométrica e de conteúdo investigou a produção científica da Terapia Ocupacional sobre o tema e indicou que a tecnologia só se traduz em ganhos concretos quando acompanhada por suporte contínuo e intervenções personalizadas.
O levantamento foi realizado entre fevereiro e junho de 2024 em oito bases de dados: PEDro, BVS, SciELO, PubMed, Web of Science, PsycINFO, Scopus e Embase. A busca identificou inicialmente 180 registros, dos quais apenas 13 artigos preencheram todos os critérios de elegibilidade definidos pelos pesquisadores.
Os estudos selecionados foram publicados entre 2015 e 2023 e reúnem abordagens metodológicas quantitativas, qualitativas e mistas. A quase totalidade das pesquisas foi conduzida na Europa e na América do Norte, revelando uma concentração geográfica que contrasta com a carência de investigações voltadas à realidade de países do Sul Global.
Eixos temáticos e impactos no cotidiano
A análise dos objetivos e desfechos dos artigos permitiu categorizar a produção em cinco frentes de intervenção: inclusão digital e capacitação tecnológica; uso de tecnologias cotidianas; recursos voltados à saúde mental e bem-estar; estimulação cognitiva e suporte em quadros de demência; e tecnologias aplicadas aos processos de reabilitação.
De acordo com os achados, a incorporação desses recursos tem potencial para ampliar o engajamento em ocupações significativas e atenuar sintomas físicos e emocionais. O efeito prático, contudo, depende diretamente de como o dispositivo é introduzido na rotina de quem envelhece.
O estudo apontou uma série de obstáculos que frequentemente impedem o uso autônomo das ferramentas. Entre as barreiras descritas estão falhas de usabilidade dos sistemas, custos de aquisição e manutenção, dependência de suporte familiar constante, baixa percepção de autoeficácia diante de telas e comandos, além de limitações cognitivas decorrentes de condições de saúde.
O papel da mediação profissional
Nesse cenário de barreiras, a revisão posiciona o terapeuta ocupacional como um agente central no processo de adoção tecnológica. Em vez de focar apenas no funcionamento do aparelho, a intervenção profissional se volta para a adaptação individualizada dos recursos, a mediação da aprendizagem no ritmo do sujeito e a integração das ferramentas aos hábitos e necessidades reais de cada pessoa.
A conclusão do levantamento reforça que a tecnologia digital apresenta potencial legítimo para o envelhecimento saudável, mas seu avanço depende de respostas estruturais. Os autores apontam a necessidade de políticas públicas consistentes de inclusão digital, a validação de instrumentos de avaliação adequados ao contexto brasileiro e a formulação de práticas que considerem as diferenças culturais e socioeconômicas da população idosa.
Imagem gerada por inteligência artificial.
Pessoas idosas e tecnologias digitais: análise bibliométrica e de conteúdo no campo da terapia ocupacional
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