O cuidado a pessoas idosas com Doença de Alzheimer ganha contornos ainda mais desafiadores em territórios marcados pela vulnerabilidade social. Um estudo de caso desenvolvido na Rocinha, no Rio de Janeiro, acompanhou de perto a rotina de um idoso diagnosticado com a doença e de sua cuidadora familiar, mapeando as principais avaliações e intervenções da terapia ocupacional realizadas nesse contexto.
A pesquisa foi conduzida no âmbito da iniciativa Favela Compassiva, entre dezembro de 2024 e abril de 2025. Ao longo desse período, foram realizados dez encontros com a família. O trabalho de campo utilizou roteiro de entrevista, instrumentos de avaliação validados e registros em diário de campo, com análise qualitativa orientada pelo método de análise temática reflexiva.
Rotina de dependência e sobrecarga
A avaliação inicial identificou que o idoso apresentava dependência total na maioria das Atividades de Vida Diária (AVDs). Já a cuidadora, filha do paciente, enfrentava uma rotina desorganizada e sobrecarga grave, tanto física quanto emocional.
Entre as principais dificuldades relatadas estavam o manejo das alterações de comportamento decorrentes do avanço do Alzheimer e a perda de espaço para o próprio autocuidado. Na prática, a intensidade das demandas diárias de assistência reduzia as possibilidades de a cuidadora manter ocupações significativas fora da função de cuidar.
Foco no cotidiano compartilhado
As intervenções terapêutico-ocupacionais buscaram responder a essas demandas a partir da instrumentalização da cuidadora no manejo diário. O processo envolveu orientações práticas para otimizar o desempenho ocupacional do idoso nas atividades cotidianas e reduzir o desgaste físico nas tarefas de assistência.
Ao mesmo tempo, o plano de cuidado direcionou atenção direta às necessidades da própria cuidadora. As ações incluíram estratégias para viabilizar o autocuidado e estimular o resgate da participação em atividades com significado pessoal, buscando atenuar o impacto da sobrecarga crônica.
De acordo com os autores, os resultados demonstram a contribuição da terapia ocupacional no modelo de comunidades compassivas e reforçam a necessidade de abordagens contextualizadas, que considerem as particularidades do território e as barreiras concretas vividas por famílias que convivem com demências em áreas periféricas.
Créditos e referência:
O estudo de caso intitulado “Terapia ocupacional no cuidado de pessoa idosa com Doença de Alzheimer e de sua cuidadora em uma favela: estudo de caso” é de autoria de Julia Maria Dos Santos, Matheus Rodrigues Martins, Carolina Rebellato e Janaína Santos Nascimento.
Imagem gerada por inteligência artificial.
Terapia ocupacional no cuidado de pessoa idosa com Doença de Alzheimer e de sua cuidadora em uma favela: estudo de caso
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