Ciência

Pesquisa avalia participação de jovens após lesão cerebral

Estudo mostra que crianças e adolescentes com lesão cerebral enfrentam restrições na escola e na comunidade seis meses após a alta de reabilitação.

Participation after hospital discharge in children and adolescents with acquired brain injury in conscious state

Seis meses após a alta de um programa de neuroreabilitação em regime de internação, crianças e adolescentes com lesão cerebral adquirida continuam enfrentando barreiras expressivas para retomar a rotina fora de casa. O impacto atinge principalmente o ambiente escolar e os espaços coletivos do bairro.

A constatação é de um estudo observacional e retrospectivo conduzido pelos pesquisadores Milagros Moler, Ezequiel Paulenas, Anahí Burgos, Milagros Guyot e Mauro Federico Andreu. O trabalho analisou o nível de participação social de pacientes em idade escolar que receberam alta em estado de consciência entre os anos de 2020 e 2023.

Diferença entre o ambiente doméstico e a rua

A pesquisa acompanhou 19 participantes por meio de ligações telefônicas realizadas rotineiramente seis meses depois do término da reabilitação hospitalar. Para medir o envolvimento dos pacientes nas atividades do dia a dia, os cuidadores responderam aos itens da Escala de Participação da Criança e do Adolescente (Child and Adolescent Scale of Participation – CASP).

Os dados revelaram um contraste nítido entre a vida intramuros e a circulação externa. De acordo com o relato dos familiares, a atividade com maior índice de participação foi a locomoção dentro de casa. Em contrapartida, o item que registrou a restrição mais severa foi o deslocamento pelo bairro e pelos espaços da comunidade.

Entre as diferentes dimensões da vida cotidiana analisadas, a escola concentrou as maiores limitações relatadas pelas famílias.

O desafio da continuidade fora do hospital

As consequências de uma lesão cerebral adquirida costumam demandar adaptações contínuas na rotina. O resultado da pesquisa indica que a estabilização clínica e a alta da internação não encerram os obstáculos para a convivência social. Enquanto o domicílio tende a ser um espaço mais controlado e previsível, a escola e o território exigem respostas a demandas físicas, cognitivas e relacionais mais complexas.

Diante desses achados, os autores concluíram que o processo terapêutico precisa contemplar intervenções voltadas especificamente para apoiar a reintegração escolar e comunitária após a fase hospitalar, sustentando a presença e o envolvimento desses jovens nos ambientes em que a vida de fato acontece.

Referência original:
MOLER, Milagros; PAULENAS, Ezequiel; BURGOS, Anahí; GUYOT, Milagros; ANDREU, Mauro Federico. Participation after hospital discharge in children and adolescents with acquired brain injury in conscious state.

Imagem gerada por inteligência artificial.

Fonte Original

Participation after hospital discharge in children and adolescents with acquired brain injury in conscious state

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