O uso contínuo de oxigênio em casa alivia a falta de ar e amplia a tolerância física de pessoas com doenças respiratórias crônicas, mas também impõe novas barreiras à rotina doméstica. É o que aponta um estudo qualitativo realizado no Ambulatório de Pneumologia-DPOC do Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC/UFPR).
A pesquisa investigou como a oxigenoterapia domiciliar prolongada repercute nas atividades de vida diária (AVD) de pessoas diagnosticadas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). O grupo avaliado foi composto por 15 participantes, em sua maioria mulheres idosas, aposentadas, com baixa escolaridade e comorbidades associadas.
Impactos nas tarefas diárias
Por meio de entrevistas semiestruturadas, os pesquisadores mapearam as principais ocupações afetadas pelo tratamento e pela evolução da doença. As atividades com maior nível de comprometimento relatado foram:
- Banho e higiene sanitária;
- Vestuário e cuidados pessoais;
- Mobilidade funcional dentro do domicílio.
Entre as queixas mais frequentes durante a realização dessas tarefas estiveram fadiga, dispneia, lentificação dos movimentos, medo de sofrer quedas e a necessidade de ajuda de terceiros para concluir ações que antes eram feitas de modo independente.
Entre o suporte e a limitação
O estudo revelou uma relação ambivalente com o equipamento. Por um lado, o suporte respiratório restringe o deslocamento e introduz fios e cilindros no espaço doméstico, gerando sensação de dependência. Por outro, o uso do oxigênio foi apontado por participantes como um facilitador para tarefas essenciais, permitindo melhor desempenho na alimentação e no banho, configurando uma condição de independência modificada.
A partir dos achados, os autores apontam a relevância da intervenção da Terapia Ocupacional no acompanhamento desses pacientes. O foco profissional recai na proposição de técnicas de conservação de energia e adaptações ambientais e de rotina, buscando reduzir o gasto metabólico nas AVDs e viabilizar a participação cotidiana dentro dos limites respiratórios impostos pelo quadro clínico.
Créditos: Estudo “Desempenho ocupacional em atividades de vida diária de pacientes em oxigenoterapia domiciliar”, desenvolvido no Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC/UFPR).
Imagem gerada por inteligência artificial.
Desempenho ocupacional em atividades de vida diária de pacientes em oxigenoterapia domiciliar
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