Ciência

Espiritualidade protege e desafia saúde mental de universitários

Revisão sistemática analisa o impacto da espiritualidade na saúde mental de universitários e discute reflexos no cotidiano e na terapia ocupacional.

Espiritualidade, religiosidade e saúde mental em estudantes universitários: uma revisão sistemática da literatura

A vivência do ensino superior costuma impor transformações profundas na rotina, na identidade e na estabilidade emocional dos estudantes. Nesse percurso, a busca por sentido existencial e as práticas de fé exercem um papel duplo: tanto servem como suporte diante de crises quanto podem se transformar em fontes de angústia quando confrontadas com o ambiente acadêmico.

Essa dinâmica foi mapeada por uma revisão sistemática da literatura que investigou as relações entre espiritualidade, religiosidade e saúde mental no contexto universitário. O levantamento reuniu 17 estudos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, consultados nas bases SciELO, PubMed e Google Scholar, sob as diretrizes do protocolo PRISMA.

Entre o apoio emocional e o conflito interno

Os dados levantados indicam que a espiritualidade atua frequentemente como um fator de proteção psíquica. A presença dessa dimensão na vida dos estudantes apareceu associada à diminuição de sintomas de ansiedade e depressão, além de menor registro de ideação suicida. O engajamento em crenças e valores existenciais também demonstrou reflexos favoráveis na motivação para os estudos e na permanência nas atividades da graduação.

Por outro lado, o material analisado revela que essa relação não ocorre sem atritos. A religiosidade, compreendida como a expressão institucional da fé, por vezes entra em choque direto com o conhecimento científico e com temas sensíveis debatidos em sala de aula. Esse confronto entre convicções prévias e as novas demandas formativas gerou, em parcelas dos estudantes avaliados pelos estudos, sentimentos de culpa e sofrimento emocional.

Equilíbrio ocupacional e o papel das instituições

Diante desse cenário ambivalente, a pesquisa apontou que intervenções institucionais podem oferecer caminhos de suporte. Programas voltados à atenção plena (mindfulness), por exemplo, foram identificados na literatura como práticas capazes de fortalecer a dimensão espiritual e favorecer o bem-estar dentro dos campi.

Para a terapia ocupacional, os achados reforçam a necessidade de integrar a dimensão espiritual aos planos de cuidado voltados à população universitária. Em vez de tratar a espiritualidade apenas como crença individual isolada, a prática profissional deve considerá-la como componente do cotidiano e das escolhas das pessoas, respeitando a diversidade de crenças e auxiliando na busca pelo equilíbrio ocupacional entre os compromissos acadêmicos, a saúde mental e as relações sociais.

O estudo conclui que o ambiente universitário precisa consolidar espaços de acolhimento e diálogo para lidar com essas tensões, recomendando que pesquisas futuras aprofundem o tema em realidades acadêmicas diversas.

Créditos da fonte:
As informações têm como base o artigo “Espiritualidade, religiosidade e saúde mental em estudantes universitários: uma revisão sistemática da literatura” (revisão sistemática descritiva e qualitativa baseada em 17 estudos indexados entre 2015 e 2025 nas bases SciELO, PubMed e Google Scholar).

Imagem gerada por inteligência artificial.

Fonte Original

Espiritualidade, religiosidade e saúde mental em estudantes universitários: uma revisão sistemática da literatura

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