O alto custo de equipamentos e os trâmites burocráticos ainda são as principais barreiras para pessoas com deficiência que praticam basquete adaptado no Brasil. É o que aponta um estudo quali-quantitativo realizado com 37 atletas da modalidade, que investigou as formas de aquisição e o impacto do uso de tecnologias assistivas no rendimento esportivo.
Para disputar partidas e manter uma rotina de treinos, o atleta depende de cadeiras de rodas com configurações específicas para a modalidade, além de outros recursos de tecnologia assistiva. Na prática, contudo, a maioria dos esportistas enfrenta restrições orçamentárias severas para arcar com essas estruturas por conta própria.
Renda restrita e pouca cobertura pública
O levantamento identificou que a maior parte dos competidores entrevistados tem renda mensal de até três salários mínimos. O suporte financeiro institucional alcança uma parcela reduzida: apenas 11 dos 37 participantes informaram receber bolsas esportivas municipais, estaduais ou federais.
O acesso por vias governamentais também se mostrou restrito. Do grupo analisado, somente seis atletas conseguiram obter a cadeira de rodas por meio de dispositivos e programas públicos. Diante dos valores elevados desses produtos, muitos dependem da busca por patrocínios privados ou arcam com despesas que comprometem o orçamento familiar.
Impacto dos equipamentos defasados no rendimento
Além do desafio de compra, a pesquisa avaliou a percepção dos competidores sobre os materiais que utilizam em quadra. Os relatos indicam que a obsolescência e a falta de adequação individual das cadeiras e dispositivos assistivos afetam diretamente o desempenho nos treinos e jogos.
Na tecnologia assistiva voltada ao esporte, a personalização é determinante: ajustes incorretos no assento, no centro de gravidade ou nos apoios podem gerar desconforto, diminuir o rendimento e elevar o risco de lesões. Quando os equipamentos não acompanham as necessidades corporais e funcionais do usuário, a própria permanência na atividade esportiva fica comprometida.
A partir dos dados coletados por formulário eletrônico e avaliados por métodos estatísticos e análise de conteúdo, os autores concluíram que existe uma fragilidade evidente no alcance das políticas públicas de dispensação de recursos assistivos e no repasse de incentivos financeiros. Na avaliação do estudo, esse gargalo estrutural atua como um fator de afastamento de atletas com deficiência da prática desportiva regular.
Créditos e referência:
As informações têm como base o resumo da pesquisa acadêmica “Cadeira de Rodas e dispositivos de Tecnologia Assistiva: desafios para aquisição e percepção do uso por atletas de Basquete Adaptado” (dados de publicação e autoria não informados no documento de origem).
Imagem gerada por inteligência artificial.
Cadeira de Rodas e dispositivos de Tecnologia Assistiva: desafios para aquisição e percepção do uso por atletas de Basquete Adaptado
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