O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) iniciou a campanha “24 Dias pelo Diabetes”, voltada a orientar a população sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da retinopatia diabética. Considerada uma das principais causas de perda visual evitável na população adulta em idade produtiva, a doença acomete entre 24% e 39% das pessoas que convivem com diabetes no país. A estimativa da entidade aponta que um em cada três pacientes desenvolverá a alteração em algum momento da vida.
O problema ocorre quando o excesso de açúcar no sangue, mantido por períodos prolongados, danifica os pequenos vasos sanguíneos da retina — a estrutura no fundo do olho responsável pela captação da luz e pelo envio das imagens ao cérebro. A frequência da condição tem relação direta com a duração da doença: após 20 anos de convivência com o diagnóstico, 90% das pessoas com diabetes tipo 1 e 60% daquelas com diabetes tipo 2 chegam a apresentar algum nível de lesão retiniana.
Detecção precoce reduz risco de cegueira
Apesar do avanço progressivo silencioso, a intervenção rápida modifica radicalmente o prognóstico. De acordo com o CBO, o risco de perda total da visão cai para menos de 5% quando a condição é identificada e tratada nas fases iniciais. Por essa razão, a recomendação médica é que o acompanhamento oftalmológico faça parte do calendário regular de quem tem diabetes, mesmo que não haja alteração aparente na capacidade de enxergar.
O principal procedimento para esse rastreio é a fundoscopia, conhecida como exame de fundo de olho. O procedimento consta no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Retinopatia Diabética, do Ministério da Saúde. Realizado com ou sem dilatação da pupila, o exame possibilita ao especialista visualizar diretamente os vasos sanguíneos e a retina, identificando os primeiros danos teciduais antes do surgimento de sintomas perceptíveis no cotidiano.
O papel da rotina no controle
A entidade destaca que as barreiras ao agravamento da retinopatia não se limitam ao consultório médico e dependem diretamente da rotina de controle glicêmico e pressórico. Ajustes nos hábitos de vida reduzem a chance de desenvolvimento da doença e retardam sua progressão.
Entre as práticas orientadas pela campanha para manter a estabilidade metabólica estão:
- Aumento do consumo de fibras, como aveia, feijão, lentilha e grãos integrais, além de hortaliças e legumes;
- Redução de alimentos ultraprocessados, embutidos, sal e açúcar;
- Manutenção de peso adequado e controle da pressão arterial;
- Abandono do tabagismo e moderação no consumo de bebidas alcoólicas;
- Atenção à qualidade do sono e reserva de períodos regulares para descanso e lazer.
Créditos: Com informações apuradas originalmente pela Agência Brasil a partir de dados divulgados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
Imagem gerada por inteligência artificial.
Campanha alerta para doença em diabéticos que pode causar cegueira
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