Nesta quinta-feira, 18 de junho, o Brasil celebra pela primeira vez o Dia Nacional do Orgulho Autista. A data foi oficialmente instituída pela Lei nº 15.365/2026 e estabelece um marco no calendário nacional voltado ao reconhecimento, respeito e valorização da diversidade neurológica no país.
De acordo com o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO), o estabelecimento da data abre espaço para ampliar o debate público sobre os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de reforçar uma mudança de perspectiva centrada na neurodiversidade e no combate a estigmas.
Para a vice-presidente da autarquia, Marianna Sousa, a celebração carrega peso político e social ao colocar em primeiro plano a escuta e a participação ativa dessa população. A representante pontua que o momento deve impulsionar o protagonismo das próprias pessoas autistas na formulação de políticas públicas, iniciativas de saúde e medidas sociais voltadas às suas realidades.
Cotidiano, autonomia e participação social
A consolidação da data também traz reflexões sobre o suporte profissional oferecido às pessoas autistas ao longo da vida. No campo da Terapia Ocupacional, o trabalho se volta para assegurar que cada indivíduo consiga realizar, com a maior autonomia possível, as ocupações que precisa, escolhe ou deseja vivenciar no dia a dia.
Segundo Marianna Sousa, a intervenção profissional não se limita a olhar para dificuldades individuais, mas busca identificar barreiras nos contextos em que a pessoa vive. A prática engloba a adaptação de rotinas e ambientes, estratégias para o processamento sensorial, mediação na comunicação e interação social, além do estímulo à participação em espaços como escola, trabalho, lazer e comunidade.
O foco, de acordo com o conselho, reside em construir contextos acessíveis que acolham as particularidades e modos de funcionamento de cada pessoa, garantindo condições concretas para o exercício da cidadania e pertencimento social.
Suporte motor e repertório corporal
A atuação profissional no apoio a pessoas com TEA também inclui a Fisioterapia. Clara Helen Oliveira, fisioterapeuta e membra do Grupo de Trabalho sobre Análise do Comportamento Aplicada (ABA) do COFFITO, explica que a área atua no equilíbrio muscular, na reeducação postural e na ampliação de competências motoras aplicadas ao cotidiano.
A especialista relata que a ampliação do repertório motor auxilia diretamente na diminuição de estereotipias motoras disfuncionais. Segundo Oliveira, quando o corpo adquire sustentação adequada e maior consciência sobre seus próprios limites e movimentos, a pessoa passa a ter mais condições de dosar ações e planejar deslocamentos, reduzindo a ocorrência de episódios que possam acarretar quedas ou lesões físicas.
Imagem gerada por inteligência artificial.
COFFITO celebra o Dia Nacional do Orgulho Autista, um marco para a neurodiversidade no Brasil
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