Compreender como fatores sociais, econômicos e ambientais afetam o bem-estar costuma ser um desafio na infância. Um estudo qualitativo realizado em uma organização não governamental em João Pessoa, na Paraíba, investigou como crianças percebem os Determinantes Sociais da Saúde (DSS) e de que forma relacionam o contexto em que vivem com a própria saúde.
A pesquisa adotou como referencial a investigação temática proposta pelo educador Paulo Freire, voltada para o processo de “leitura da realidade”. Para levantar as informações, os pesquisadores utilizaram grupos de atividades e observação participante. Os encontros foram gravados, transcritos e examinados por meio da análise em espiral, abordagem metodológica descrita por John W. Creswell.
Os dados obtidos indicam que as crianças enfrentam dificuldades para associar diretamente os determinantes sociais às suas condições de saúde e bem-estar. Essa limitação na leitura do próprio ambiente reduz a percepção sobre como fatores do cotidiano, como moradia, saneamento, acesso a serviços e condições de vida, interferem no desenvolvimento e na qualidade de vida.
De acordo com o estudo, a identificação desses desafios é um passo necessário para a construção de estratégias que dialoguem diretamente com a realidade infantil. Ao promover espaços educativos e participativos que aproximem essas discussões da rotina das crianças, torna-se possível instrumentalizá-las para reconhecer vulnerabilidades, tomar decisões mais conscientes a respeito do próprio cuidado e identificar quando e onde buscar apoio.
Créditos e referência:
As informações têm como base o estudo “Leitura da realidade com crianças: a saúde e seus determinantes sociais”, desenvolvido a partir de intervenções em uma ONG no município de João Pessoa (PB).
Imagem gerada por inteligência artificial.
Leitura da realidade com crianças: a saúde e seus determinantes sociais.
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