Superar o modelo manicomial não se resume a fechar os portões de hospitais psiquiátricos. Trata-se de um processo contínuo que esbarra, com frequência, na reprodução de mecanismos de exclusão em novos formatos e serviços. Essa reflexão orienta um estudo que debate a desinstitucionalização da loucura e os desafios éticos e políticos colocados para a saúde mental e a terapia ocupacional.
Originado da transcrição de uma conferência, o trabalho analisa a instituição não como uma estrutura física imutável, mas como uma dinâmica social e histórica, em constante movimento. Por essa definição, instituições produzem ativamente normas, separações e critérios de controle sobre a vida das pessoas.
A partir dessa leitura, o texto questiona como práticas de características manicomiais permanecem ativas dentro de arranjos contemporâneos. A advertência central é que a substituição de antigos estabelecimentos por outros modelos de atendimento não elimina de forma automática a lógica da tutela. Quando o foco permanece na contenção e na disciplina, as novas configurações institucionais apenas reorganizam antigos desejos de controle.
Cuidado em liberdade e práticas-raízes
Para contrapor a persistência dessas lógicas, o trabalho defende a construção de práticas-raízes. O termo aponta para intervenções orientadas pelo cuidado em liberdade, com capacidade de sustentar o cotidiano e favorecer a produção de novas formas de existência para além dos diagnósticos e das limitações institucionais.
A conclusão do estudo reforça que a desinstitucionalização é uma tarefa inacabada. No campo da clínica e da ação profissional, o enfrentamento aos impulsos de controle depende de respostas criativas e compromissadas em assegurar modos plurais e singulares de viver.
Imagem gerada por inteligência artificial.
Desejos de manicômios: a desinstitucionalização inacabada e as novas institucionalizações
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