As relações entre deficiência, dinâmicas de parentesco e as exigências que recaem sobre as famílias estão no centro de um diálogo recente entre a pesquisadora Pamela Block e as interlocutoras Lilian Magalhães e Sandra Galheigo. A partir de uma abordagem transnacional, a conversa articula vivências pessoais e acadêmicas para discutir como estruturas institucionais e desigualdades moldam a rotina de pessoas com deficiência e de seus familiares.
Um dos pontos centrais da discussão é o papel social frequentemente atribuído a irmãos e irmãs sem deficiência, colocados como responsáveis presumidos pelo cuidado continuado. O diálogo aborda as consequências emocionais e práticas que essa expectativa gera ao longo da vida, ao mesmo tempo em que investiga como essas pessoas cocriam futuros e formas de resistência em cenários habitualmente marcados pela exclusão social.
A partilha das responsabilidades de suporte também foi analisada a partir de recortes de raça, classe, gênero e condição migratória, traçando paralelos entre os contextos do Canadá e do Brasil. Ao examinarem essas conexões, Lilian Magalhães e Sandra Galheigo apontam para a urgência de evitar compreensões redutoras sobre a vida dessas famílias, sejam aquelas baseadas exclusivamente na condição socioeconômica ou em categorizações estritamente médicas.
Ao colocar em questão as noções de cuidado, autonomia e justiça que atravessam o cotidiano, as reflexões compartilhadas somam-se aos esforços teóricos e práticos de descolonização tanto dos estudos sobre deficiência quanto do campo da terapia ocupacional.
Imagem gerada por inteligência artificial.
Parentesco, resistência e os futuros que construímos: uma conversa com Pamela Block
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