A percepção sobre o desenvolvimento e as respostas de uma criança com autismo costuma variar conforme o ambiente e o olhar de quem observa. Um estudo comparou como profissionais de Intervenção Precoce na Infância e familiares avaliam crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) com idades entre 3 e 6 anos.
A investigação analisou três dimensões centrais da rotina infantil: comunicação social, comportamentos repetitivos e interesses reduzidos, além do processamento sensorial. Os dados revelaram discrepâncias entre as pontuações atribuídas pelas equipes técnicas e as percepções das famílias.
De acordo com os resultados, os pais demonstraram uma visão mais positiva a respeito da comunicação social dos filhos quando comparados aos profissionais. A convivência diária no ambiente doméstico tende a registrar tentativas de interação, intenções comunicativas e respostas sutis que nem sempre se manifestam da mesma forma em contextos de testagem ou em sessões estruturadas.
Fatores que influenciaram as avaliações
A pesquisa identificou que o gênero da criança influenciou diretamente as respostas. Tanto profissionais quanto familiares avaliaram de forma mais favorável o desempenho das meninas com autismo nas dimensões analisadas.
Por outro lado, variáveis ligadas às características dos adultos não alteraram os resultados. O nível educacional e a ocupação dos pais não modificaram a maneira como pontuaram seus filhos. Da mesma forma, a categoria profissional do técnico responsável não gerou diferenças significativas na mensuração.
A idade das crianças, situada no intervalo de 3 a 6 anos, também não exerceu influência sobre os padrões avaliativos em nenhuma das três áreas investigadas.
Metodologia
A amostra contou com 77 crianças acompanhadas na fase inicial da infância. Os pesquisadores utilizaram a Escala de Avaliação da Criança com Perturbação do Espetro do Autismo, desenvolvida por Reis, Pereira e colaboradores. O tratamento dos dados incluiu análises descritivas e inferenciais por meio do software SPSS (versão 28.0).
Os resultados evidenciam que a avaliação no campo do desenvolvimento infantil e do processamento sensorial ganha consistência quando confronta a leitura técnica com a experiência concreta da família no cotidiano. O planejamento das intervenções na primeira infância depende diretamente da capacidade de aproximar essas duas perspectivas, evitando que condutas sejam definidas apenas a partir de impressões unilaterais.
Imagem gerada por inteligência artificial.
Avaliação na perturbação do espetro do autismo: a convergência de saberes e de experiências entre pais e profissionais
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