A transição entre a teoria acadêmica e a prática em saúde mental costuma colocar os estudantes diante de impasses reais do cuidado. Para compreender como essa vivência molda a atuação profissional, uma pesquisa qualitativa investigou as percepções de estudantes e profissionais recém-formados a partir do referencial do Método Terapia Ocupacional Dinâmica (MTOD).
O estudo, de caráter descritivo-interpretativo, reuniu narrativas escritas de 12 participantes — entre estagiários e egressos de graduação em Terapia Ocupacional — vinculados a um ambulatório de saúde mental. O material foi submetido à análise de conteúdo, com interpretação sustentada pelas bases conceituais do próprio método.
Os eixos da formação na prática
A análise das narrativas identificou quatro eixos centrais que marcaram a passagem pelo estágio:
O primeiro envolveu o enfrentamento de inseguranças e obstáculos logo no início dos atendimentos. O segundo reuniu as aprendizagens geradas no cotidiano do serviço, onde a teoria precisou dialogar com a rotina viva dos sujeitos acompanhados. O terceiro tratou da construção gradual da identidade profissional. Por fim, o quarto eixo abordou o cuidado de si e o que os autores denominam de dupla afetação — a percepção de que a relação terapêutica transforma não apenas quem recebe o cuidado, mas também quem o conduz.
Segundo os dados, as transformações observadas no cotidiano e nas formas de participação social dos pacientes decorreram diretamente da dinâmica da relação triádica — elemento central do MTOD em que a atividade funciona como terceiro termo mediador entre terapeuta e usuário. O processo se apoiou ainda no diagnóstico situacional, no exercício das narrativas da prática e nos momentos de supervisão clínica.
Limites institucionais e o território real
Além do desenvolvimento técnico e relacional com os usuários, os relatos dos participantes expuseram barreiras concretas de funcionamento do serviço. As narrativas revelaram atravessamentos institucionais e apontaram a necessidade de ajustes no próprio ambulatório para acolher as demandas que surgiam na rotina.
Ao converter essas dificuldades cotidianas em matéria-prima para o aprendizado, a experiência de estágio funcionou como um dispositivo que conecta prática clínica, formação acadêmica e o território em que as pessoas vivem. Conforme conclui o estudo, o MTOD demonstrou consistência teórica e metodológica para orientar a supervisão e o ensino prático, oferecendo subsídios para orientar estudantes, docentes e terapeutas ocupacionais na sustentação de uma postura ética e situada.
Créditos do estudo original:
Artigo: O Método Terapia Ocupacional Dinâmica: a construção do saber na prática de ensino (Estudo qualitativo descritivo-interpretativo com estagiários e egressos de ambulatório de Terapia Ocupacional em Saúde Mental).
Imagem gerada por inteligência artificial.
O Método Terapia Ocupacional Dinâmica: a construção do saber na prática de ensino
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