A entrada no ensino superior costuma confrontar expectativas iniciais com a complexidade real de uma profissão. No caso da Terapia Ocupacional, essa trajetória formativa frequentemente revela um campo de atuação muito mais amplo do que o senso comum costuma supor.
Para marcar o Dia Nacional do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional, comemorado em 13 de outubro — data que remete à regulamentação das duas áreas pelo Decreto-Lei nº 938/1969 —, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito) reuniu relatos de alunas que vivenciam as etapas finais e intermediárias da graduação em Brasília.
A descoberta da amplitude da Terapia Ocupacional
Terezinha Sousa, estudante do 4º semestre de Terapia Ocupacional em uma instituição particular da capital federal, relata que ingressou no curso com uma visão restrita sobre o trabalho profissional. Inicialmente, ela projetava sua atuação focada apenas no acompanhamento de crianças neurodivergentes e em sua integração social.
O avanço das disciplinas, no entanto, ampliou esse horizonte para áreas como a saúde mental, o contexto de vida dos sujeitos e o papel central das Atividades de Vida Diária (AVDs). Segundo a acadêmica, a formação permitiu compreender que tarefas consideradas simples na rotina adquirem dimensão extraordinária quando impactam a autonomia de quem precisa de cuidado.
A estudante ressalta que o terapeuta ocupacional precisa enxergar a pessoa para além do diagnóstico clínico, considerando seus desejos, limitações e o ambiente em que ela vive. Entre os desafios apontados por Terezinha para o futuro da profissão está justamente a desinformação pública sobre o alcance da área, que engloba campos estruturados como gerontologia, tecnologia assistiva, atenção básica e terapia da mão.
Visão compartilhada na Fisioterapia
A percepção de que a prática em saúde vai além da resposta mecânica a sintomas também aparece na fala de Geovana Lima, aluna do 10º semestre de Fisioterapia em outra instituição particular de Brasília. Para ela, o curso desfez a ideia de que a categoria atua apenas na reabilitação e no tratamento de lesões pontuais.
Na reta final da graduação, Geovana aponta a prevenção de agravos e o acompanhamento do indivíduo em diferentes etapas do ciclo de vida como eixos de atuação. A futura fisioterapeuta também defendeu a necessidade de avanços concretos nas condições de trabalho, remuneração justa e qualificação baseada em evidências científicas.
As experiências compartilhadas refletem o momento de transição vivido no ambiente acadêmico: o aprendizado teórico confrontado com as demandas de valorização profissional, o desafio do reconhecimento social e a centralidade do cotidiano no cuidado em saúde.
Créditos e informações originais: Publicado originalmente pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito) sob o título “Dia Nacional do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional: saiba o que estudantes pensam sobre as profissões” (13/10/2024).
Imagem gerada por inteligência artificial.
Dia Nacional do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional: saiba o que estudantes pensam sobre as profissões
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