A expansão dos postos de trabalho para terapeutas ocupacionais no setor privado e no terceiro setor tem sido acompanhada por diferentes formas de precarização. É o que aponta uma pesquisa realizada com 105 profissionais atuantes no estado de Alagoas, que investigou as condições contratuais, a remuneração e a rotina de trabalho na região.
O levantamento identificou um perfil composto majoritariamente por mulheres, com idade entre 31 e 40 anos, autodeclaradas pardas e formadas pela Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL). A atuação profissional concentra-se na capital, Maceió, com foco predominante em clínicas de reabilitação, e é marcada pela coexistência de múltiplos vínculos de trabalho.
Diferenças entre setor privado e terceiro setor
Os dados mostram que a inserção profissional segue dinâmicas distintas a depender do setor, embora ambos apresentem fragilidades nas relações de trabalho.
No setor privado, que se consolida como o principal espaço de absorção da categoria no estado, predominam os contratos flexibilizados. A remuneração costuma ser variável, associada diretamente a metas de produtividade. Na prática, a renda mensal depende do volume de atendimentos executados, transferindo para o profissional os riscos econômicos da atividade.
Já no terceiro setor, a pesquisa verificou a prevalência de contratos regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Apesar da estabilidade formal do vínculo, a realidade cotidiana nesses serviços é atravessada por salários mais baixos, escassez de recursos materiais para a realização dos atendimentos e dependência contínua de repasses de financiamento público.
Contradição entre condições objetivas e satisfação
Um dos pontos centrais identificados pelo estudo é a contradição entre a realidade material do trabalho e a percepção individual dos profissionais. Mesmo diante da sobrecarga gerada por múltiplos empregos, da instabilidade na renda e da falta de materiais adequados nos serviços, os participantes relataram índices elevados de satisfação com o trabalho.
Essa discrepância sugere que o envolvimento profissional e o sentido atribuído à prática clínica muitas vezes mascaram perdas de direitos trabalhistas e a deterioração das condições operacionais do cotidiano.
Os autores concluem que o mercado alagoano reflete a reestruturação produtiva vivenciada no país desde a década de 1970, intensificada por políticas de viés neoliberal. Diante desse quadro, o estudo aponta para a necessidade de monitorar de forma contínua o mercado de trabalho regional, servindo de base para a formulação de ações e políticas coletivas de valorização da terapia ocupacional.
Créditos do estudo original:
Artigo: O trabalho em terapia ocupacional no setor privado e no terceiro setor: expressões da precarização sob a lógica neoliberal
Autores: Mell Cristina Costa de Moraes, Ana Carolina de Souza Basso, Marina Batista Chaves Azevedo de Souza e Waldez Cavalcante Bezerra.
Imagem gerada por inteligência artificial.
O trabalho em terapia ocupacional no setor privado e no terceiro setor: expressões da precarização sob a lógica neoliberal
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