Ciência

Artigo propõe terapia ocupacional crítica contra o capacitismo

Em artigo teórico, Karen Whalley Hammell recorre a Edward Said para propor uma terapia ocupacional anticapacitista, crítica e comprometida com direitos.

Occupational therapists as “intellectuals”: learning from Edward Said

Em artigo de reflexão teórica, a pesquisadora Karen Whalley Hammell recorre ao pensamento do filósofo palestino Edward Said para debater o papel ético e político da terapia ocupacional. A publicação defende que profissionais da área assumam uma postura intelectual ativa, capaz de interrogar pressupostos não questionados da própria categoria e confrontar estruturas capacitistas na prática cotidiana.

A análise parte da distinção formulada por Said entre dois tipos de atuação profissional: os “mantenedores” e os “intelectuais”. Na definição apresentada, os mantenedores são aqueles cujo trabalho ajuda a preservar o status quo das relações de poder e as práticas consolidadas de uma disciplina. Já os intelectuais — tanto acadêmicos quanto profissionais inseridos nos serviços — dedicam-se a desafiar discursos autoritários e orthodoxias, provocando transformações sociais.

Classificações funcionais e a ideologia capacitista

Um dos pontos centrais abordados por Hammell diz respeito à cumplicidade histórica de determinadas profissões com sistemas classificatórios hierárquicos. Segundo Said, esses modelos de categorização muitas vezes reproduzem lógicas de injustiça e dominação colonial.

Transportada para a terapia ocupacional, essa crítica recai sobre a rotina de avaliar e documentar diferenças corporais e funcionais tomando como parâmetro noções construídas de normalidade. Para a autora, quando a intervenção se limita a medir desvios em relação a uma norma pré-estabelecida, a profissão corre o risco de reforçar e promover uma ideologia capacitista, que localiza o problema exclusivamente no indivíduo e ignora as barreiras sociais ao redor.

Alinhamento entre discurso e prática

O texto sustenta que a integridade intelectual exige que terapeutas ocupacionais apontem incoerências entre os posicionamentos oficiais da profissão — que frequentemente declaram apoio aos direitos humanos e à justiça — e o que ocorre de fato nos serviços e nas pesquisas.

Para Hammell, o exercício dessa consciência crítica cética não se reduz a um debate acadêmico abstrato. Trata-se de cobrar responsabilidade social da própria categoria, recusando concessões com discursos institucionais complacentes e reposicionando a terapia ocupacional ao lado de quem enfrenta exclusão e opressão.

Créditos da publicação original:
Autoria: Karen Whalley Hammell
Trabalho de referência: Occupational therapists as “intellectuals”: learning from Edward Said

Imagem gerada por inteligência artificial.

Fonte Original

Occupational therapists as “intellectuals”: learning from Edward Said

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