O envolvimento em determinadas atividades e papéis sociais não depende apenas de vontades individuais. Ele é moldado por normas e convenções sociais que determinam quem pode ocupar certos lugares na sociedade e de que forma isso deve acontecer. A partir desse cenário, uma pesquisa investigou a constituição e os significados do desejo pelo papel ocupacional materno entre mulheres trans e travestis.
O estudo foi desenvolvido pelas pesquisadoras Maria Luisa De Sá Peregrino Arrais, Cíntia De Oliveira Castelo Branco Sales, Caroline Cavalcante Vidal, Gersiane Tereza Maria Silva Ferreira e Thaislane Costa Dos Santos, sob o título original “Eu gestei e pari a mim mesma: história oral temática da constituição e do desejo do papel ocupacional materno de mulheres trans e travestis”.
Narrativas e eixos temáticos
Para ouvir e analisar as trajetórias das participantes, o trabalho utilizou o método da história oral temática. As entrevistas foram realizadas virtualmente entre junho e agosto de 2023, com o apoio da estratégia de amostragem bola de neve, na qual as próprias colaboradoras indicam novos contatos.
Participaram da coleta oito mulheres trans e travestis com idades entre 24 e 30 anos: Regina, Júlia, Medusa, Jéssica, Melissa, Malu, Pandora e Sol. A análise do material estruturou os relatos em três eixos principais:
- As concepções hegemônicas da sociedade a respeito do papel ocupacional materno exercido por mulheres trans e travestis;
- A formação e os sentidos atribuídos ao próprio desejo da maternidade;
- As possibilidades e caminhos concretos para viabilizar a vivência desse papel ocupacional no cotidiano.
O papel materno e a atuação profissional
A pesquisa ressalta que as relações de gênero e sexualidade se materializam nas ocupações humanas diárias. Quando certas vivências são atravessadas por visões desiguais e violações, o próprio acesso ao papel de mãe pode ser questionado ou restrito por barreiras sociais.
Na conclusão do artigo, as autoras apontam que a intervenção terapêutico-ocupacional pode se posicionar na promoção e emancipação do papel ocupacional materno. Essa abordagem propõe acolher, direcionar e transformar histórias marcadas por restrições, colaborando para que a maternidade seja uma possibilidade real de participação, escolha e exercício de direitos.
Créditos do trabalho original:
Artigo: “Eu gestei e pari a mim mesma”: história oral temática da constituição e do desejo do papel ocupacional materno de mulheres trans e travestis
Autoras: Maria Luisa De Sá Peregrino Arrais, Cíntia De Oliveira Castelo Branco Sales, Caroline Cavalcante Vidal, Gersiane Tereza Maria Silva Ferreira e Thaislane Costa Dos Santos.
Imagem gerada por inteligência artificial.
“Eu gestei e pari a mim mesma”: história oral temática da constituição e do desejo do papel ocupacional materno de mulheres trans e travestis
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