No cotidiano de pequenas comunidades rurais, as oportunidades de convivência coletiva e lazer costumam disputar espaço com rotinas de trabalho doméstico e isolamento geográfico. Uma pesquisa qualitativa desenvolvida na Espanha investigou como a prática de caminhadas em grupo pode se constituir como uma ocupação significativa para mulheres acima dos 55 anos que vivem no campo.
O trabalho, assinado pelos pesquisadores María Ángeles Vadillo Navarro e Pablo A. Cantero Garlito, analisou a experiência de seis participantes com idades entre 60 e 77 anos. Todas residem em povoados com menos de 5 mil habitantes na região do Valle del Tiétar, ao sul da província de Ávila.
Sob a perspectiva da Terapia Ocupacional, a atividade de caminhar em trilhas ultrapassa o aspecto do exercício físico: trata-se de um fazer que organiza a rotina, estimula a autonomia e favorece o equilíbrio ocupacional e a participação comunitária.
Entre o apoio mútuo e a falta de estrutura
A partir de entrevistas semiestruturadas e notas de campo, os autores organizaram os resultados em quatro eixos centrais: benefícios à saúde, facilitadores, barreiras e vínculos sociais.
As participantes relataram ganhos diretos no bem-estar físico e emocional, destacando a melhora no humor, o alívio de tensões do dia a dia e o fortalecimento de redes de suporte. O contato direto com o ambiente natural próximo e a cumplicidade entre as integrantes surgiram como os principais fatores que incentivam a continuidade da prática.
Mais do que compartilhar um trajeto, os encontros funcionam como um espaço de identificação. O estudo aponta que o grupo reúne mulheres com trajetórias de vida e histórias semelhantes, transformando a caminhada em uma ferramenta de conexão social em um contexto onde o isolamento costuma pesar.
Por outro lado, a ocupação encontra entraves concretos. As participantes apontaram barreiras logísticas, limitações físicas individuais, restrições sociais e a escassez de respaldo das instituições locais para manter ou incentivar iniciativas desse tipo de forma contínua.
Os achados indicam que práticas coletivas conectadas ao território rural têm capacidade de transformar o cotidiano de mulheres mais velhas, mas a permanência dessas ações ainda esbarra na carência de suporte público e comunitário estruturado.
Créditos: O estudo Senderismo como ocupación significativa para mujeres rurales mayores é de autoria de María Ángeles Vadillo Navarro e Pablo A. Cantero Garlito.
Imagem gerada por inteligência artificial.
Senderismo como ocupación significativa para mujeres rurales mayores
Acessar publicação original →